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sábado, 26 de junho de 2010

A MINHA CANETA

A minha caneta está febril: - ela procura traçar palavras, formar frases para retratar os meus pensamentos mais íntimos e os meus recalcados sentimentos.

Ó caneta indiscreta! Por que você teima em devassar a minha mente? O quê você pretende?

Ah! Já sei qual é a sua intenção: - você quer despir a minha alma, deixando-a desnuda na via pública, aos olhos de todo o mundo... Mas, caneta, minha amiga, você não vê que a neve dos tempos já caiu em minha cabeça? Você não vê que os meus sonhos já se apagaram?

Se você quer, minha amiga e confidente, veja agora o meu coração cansado, este coração que apenas não bate, mas, sobretudo, apanha e, apesar de tudo, ainda palpita e crê na Humanidade, embora, muitas vezes, essa Humanidade não palpite e nem sonhe...

Veja caneta, o quê você fez: - você me tornou um cético. Você não conseguiu a imagem do sonho, mas, você traduziu a realidade da dor, do desespero, da falta de objetividade de uma vida vazia!


Nota: A caneta do poeta está sempre ativa, não importando o tempo.

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