A minha janela é como uma televisão da vida cotidiana da minha rua. Por ela, eu sigo as novelas que se desenrolam defronte à minha casa. Vejo as comédias e os dramas da vida.
Ontem choveu. Vi, então, alguns garotos andando na enxurrada. Lembrei-me da minha infância de menino pobre: - nos dias de chuva era uma festa! A gente fazia barquinhos de jornal e, com eles, apostava “corrida” na correnteza das águas barrentas, Naqueles barquinhos, navegavam os nossos sonhos...
A janela, depois da chuva, mostrou-me um mendigo cheio de sacos, todo molhado... Ele não colocava barquinhos na enxurrada... Ele não navegava em seus sonhos... Ele tinha – Oh, Deus! – a realidade no pesadelo da miséria!
URBANO FRANÇA CANÔAS
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