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segunda-feira, 19 de julho de 2010

NEGRO VELHO

Uma cena simples de rua há poucos dias, feriu minha observação. Eu descia despreocupadamente a Rua 20, quando tive a atenção despertada pelo vulto de um pobre esmolador que também vinha descendo rua abaixo.
Era um pobre negro velho. Os cabelos inteiramente encanecidos e as pernas trôpegas.
Calçava um desses chinelos de pano, marca “Roda” se não me engano, e que o povo chama, na sua linguagem pitoresca de “pé de cachorro”. Um chapéu desabado e sujo protegia o pobre crânio dos rigores da canícula.
Trajava um terno roto em alguns lugares e mal remendado em outros. A tira colo trazia um saco, no qual, com carinho, guardava as esmolas recebidas.
Pobre negro velho!... Eu o conheci em melhores dias. Chama-se, se não me falha a memória, Maximiliano. Morava lá pelos lados da Vila Baroni.
Naqueles tempos, era um touro de forte. Era pau para toda obra. Fazia qualquer serviço. Carpia, limpava quintais, recolhia e rachava lenha. Não havia angico ou capitão que resistia ao embate forte e seguro de suas machadadas...
Defendia assim, honestamente, o seu pão de cada dia.
Saía de casa quando brilhava a Estrela Dalva e só voltava quando a Vésper começava a coriscar.
Pobre Maximiliano!... Hoje, o teu velho corpo deixou de resistir às machadadas do destino.
A doença e a velhice atingiram de rijo e partiram a tua resistência. Andas combalido pelas ruas desse nosso “Chão Preto”, mendigando um pouco daquilo que sobra aos outros.
Dei-te uma esmola, vi nos teus olhos altaneiros de homem honesto e trabalhador, o sinal da dor e do sofrimento.
Deus te ajude, meu pobre negro velho!...

Urbanus

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